Saúde Respiratória Infantil



A saúde respiratória de crianças no contexto atual: Será que a inovação pode melhorar a vida de famílias que convivem com as doenças respiratórias em suas vidas?


Autora: Claudia Tavares Alvarenga


Nesta nota técnica são tratados aspectos das razões históricas do uso da terapia inalatória e sua evolução bem como desafios atuais na sua adesão em especial pela população pediátrica. Ressalta a importância da curadoria do conhecimento para pais e cuidadores e o papel da inovação em contribuir para melhor manejo dessa gestão. 


Infecções respiratórias e doenças pulmonares obstrutivas crônicas matam cerca de 6.4 milhões de pessoas por ano segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). É notória a crescente incidência e prevalência de quadros respiratórios em bebês e crianças atualmente nas grandes metrópoles. Isso se deve a fatores como: predisposição genética, contaminação viral e a fatores extrínsecos como a poluição atmosférica que atualmente é uma ameaça à saúde em todos os países, sobretudo em populações de países mais pobres. Em crianças por exemplo, ela pode comprometer o desenvolvimento pulmonar e predispor a uma maior fragilidade do sistema.

Além da emissão de gases poluentes por automóveis e indústrias, um fator que contribui para a poluição é a própria mudança climática. Fenômenos como o aumento das temperaturas e dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera fazem com que o pólen se acumule, agravando os casos de asma na infância. De acordo com a OMS, entre 11% e 14% das crianças com 5 anos ou mais sofrem os sintomas da doença e cerca de 44% dos casos estão relacionados a exposições ambientais insalubres7.

De acordo com a Global Asthma Report, a Asma, uma doença inflamatória dos brônquios e que não tem cura, acomete 339 milhões de pessoas em todo o mundo com estimativa de esse número ser ainda maior podendo chegar à média de 400 milhões em 2025. Estima-se que no Brasil a prevalência média de asma ativa em adolescentes seja de 18,5%3.

Em meados dos anos 50 surgiram as mais comumente conhecidas “bombinhas” que revolucionaram a intervenção medicamentosa prometendo tratar doenças respiratórias promovendo ação local de corticoides e broncodilatadores tendo ação mais rápida e efetiva5. No entanto, a coordenação, gases propelentes tóxicos, dispersão acentuada de partículas surgiram como desafios a serem superados principalmente pela população pediátrica. Na década de 70 a fim de otimizar a entrega do aerossol as vias aéreas inferiores, foram desenvolvidas câmaras compostas de um reservatório tubular que quando colocado entre a boca do paciente e o inalador pressurizado dosimetrado promoviam a retenção do aerossol até a inalação do indivíduo permitindo a inalação das partículas do fármaco com maior efetividade aumentando em até 2x a deposição pulmonar2.

O tratamento agudo e crônico preventivo por meio da terapia inalatória de fármacos, pode melhorar significativamente a vida de crianças e adolescentes que sofrem com essas desordens. Inaladores dosimetrados ou mais comumente conhecidos como “bombinhas” associados a dispositivos como câmaras espaçadora são a terapia de primeira escolha segundo a Iniciativa Global para Asma (GINA, 2021). No entanto, em pleno século XXI existem grandes desafios relacionados a sua adesão, monitoramento e forma correta de utilização, implicando em recorrente ineficácia de controle de crises além de efeitos adversos relacionados a terapia incorreta.

A simples manutenção do dispositivo espaçador inalatório é capaz de influenciar no seu correto funcionamento. Contaminações bacterianas por Klebisiella Pneumoniae e Staphylococcus Aureus foi detectada em 35% de espaçadores de crianças asmáticas2. Pais e mães não se sentem seguros quanto a correta desinfecção ou até mesmo esterilização, ficando a critério de fabricantes, divergentes em parte da literatura científica, a recomendação sobre utilização e cuidados. Esses cuidadores recorrem frequentemente a meios rápidos de informação como vídeos, mídia social de profissionais de saúde quando não ao mesmo pessoalmente ou por meio de telemedicina.

Estudo demonstra que o conhecimento teórico prático de profissionais de saúde do Hospital da Criança no estado de São Paulo a respeito do uso de inaladores pressurizado mostrou ser heterogêneo. Médicos residentes, fisioterapeutas e médicos assistentes obtiveram desempenho significativamente melhor que enfermeiros e auxiliares de enfermagem sendo que estes últimos estão diretamente envolvidos na aplicação prática desses dispositivos na rotina hospitalar4.

A emancipação feminina e a sua inserção no mercado de trabalho trouxeram uma menor presença no ambiente domiciliar e consequentemente uma maior permanência de crianças por períodos mais longos dentro das escolas. Com essa distância mães relatam dificuldades em sequenciar o tratamento inalatório de seus filhos quando em fase de agudização, contando com profissionais inseridos no ambiente escolar para a realização e acompanhamento do tratamento, o que proporciona uma melhora no sentimento de cuidado inerente a mães, porém ainda distante de se tornar globalizado.

Letícia de 39 anos, uma mãe residente no abc paulista e mãe de doente respiratório crônico relata ter tido uma reunião com professoras e cuidadores da escola para orientar a realização da terapia inalatória no turno escolar. “Atualmente me sinto mais segura, mas preciso encaminhar as receitas e relatar a situação de crise quando ela aparece”. “Hoje em dia, a própria escola consegue identificar quando uma crise dele está no início” – complementa.

 Segundo uma pesquisa da ISMA-BR, International Stress Management Association no Brasil, equilíbrio entre a vida pessoal e profissional de mulheres mostra que é grande o número de pessoas que negligenciam a vida pessoal, porque se dedicam mais à profissional por medo de demissão ou de ficar para trás em promoções6.

 Tendo em vista este cenário, e outros tantos não citados nesta nota, fica clara a necessidade de auxiliar não tão somente crianças, bebês e adolescentes em todo o processo da terapia inalatória mas profissionais de saúde e principalmente mães e pais, ou seus tutores utilizando a inovação e recursos tecnológicos para promover além de curadoria do conhecimento, maior acesso, autonomia e controle da sua doença e seu tratamento, melhorando assim a esperança dessas famílias em poder atingir sonhos, sentindo-se mais seguros em relação a sua saúde.

 A ideação da GetinOxy surgiu em 2021 decorrente da necessidade de uma das fundadoras, asmática e mãe de asmáticos a fim de buscar soluções para alívio dessas dores sendo a principal o sentimento de culpa que acompanha as fases das doenças respiratórias e suas consequências. “Eu realmente acredito que quanto mais soubermos e mais capazes e seguras nos sentirmos em relação aos cuidados de nosso filhos maior a certeza de que estamos no caminho certo”. A plataforma promete por meio de suas funcionalidades organizar e tangibilizar a redução do estresse, de riscos relacionados, promover bem-estar, atualizar e motivar seus usuários além de melhorar a percepção de qualidade de vida.

 Apesar de estar em fase de validação da ferramenta a Startup acredita que muito em breve seu suporte atenuará o desconforto respiratório e mental de muitas famílias que convivem com doenças respiratórias não limitando-se a sazonalidade, mas devolvendo um pouco do charme perdido de estações como o outono e inverno, atualmente temidas por essa população.

 

 

Referências

 

1.    GINA. Global Strategy for Asthma Management and Prevention. 2018. http://ginasthma.org/2018-gina-reportglobal-strategy-for-asthma-management-and-prevention/ Acessado em: novembro de 2021.

 

2.    Vincken W, Levy ML, Scullion J, Usmani OS, Dekhuijzen PNR, Corrigan CJ. Dispositivos espaçadores para terapia inalada: por que usá-los e como? ERJ Open Res. 2018 Jun; 4(2):00065.

 

3.    Pitchon RR, Alvim CC, Andrade CR, Lasmar LMLBF, Cruz AA, Reis AP. Asthma mortality in children and adolescents of Brazil over a 20‐year period. J Pediatr. 2020; Jul- Ago; 96(4):432-438.

 

4.   Muchão FP, Filho LV. Avanços na terapia de inalação na pediatria. J Pediatr (Rio J). 2010 Set-Out; 86(5):367-76.

 

5.   Silva MV. Avaliação Experimental da Eficiência de Câmaras de Expansão. Dissertação de Mestrado. Universidade do Minho Escola de Engenharia (Braga), 2014.

 

6.   ISMA BR – International Stress Management Association. Carreiras em transformação e o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Disponível em: https://www.ismabrasil.com.br Acesso em: 12 jun. 2023.

 

7.    OMS Organização Mundial da Saúde - As consequências da poluição ambiental: 1,7 milhão de mortes de crianças anualmente, segundo a OMS (who.int) Disponível em: https://www.who.int/pt Acesso em:14 jun. 2023.


 Virou notícia👇

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3291161/a-inovacao-pode-melhorar-a-saude-respiratoria-das-criancas/

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