Saúde Respiratória Infantil
A saúde respiratória de crianças no contexto atual: Será que a inovação pode melhorar a vida de famílias que convivem com as doenças respiratórias em suas vidas?
Nesta nota técnica são tratados aspectos das razões históricas do uso da terapia inalatória e sua evolução bem como desafios atuais na sua adesão em especial pela população pediátrica. Ressalta a importância da curadoria do conhecimento para pais e cuidadores e o papel da inovação em contribuir para melhor manejo dessa gestão.
Infecções respiratórias e doenças pulmonares obstrutivas crônicas
matam cerca de 6.4 milhões de pessoas por ano segundo a Organização Mundial de
Saúde (OMS). É notória a crescente incidência e prevalência de quadros
respiratórios em bebês e crianças atualmente nas grandes metrópoles. Isso se
deve a fatores como: predisposição genética, contaminação viral e a fatores
extrínsecos como a poluição atmosférica que atualmente é uma ameaça à saúde em
todos os países, sobretudo em populações de países mais pobres. Em crianças por
exemplo, ela pode comprometer o desenvolvimento pulmonar e predispor a uma
maior fragilidade do sistema.
Além da emissão de gases poluentes por automóveis
e indústrias, um fator que contribui para a poluição é a própria mudança
climática. Fenômenos como o aumento das temperaturas e dos níveis de dióxido de
carbono na atmosfera fazem com que o pólen se acumule, agravando os casos de
asma na infância. De acordo com a OMS, entre 11% e 14% das crianças com 5 anos
ou mais sofrem os sintomas da doença e cerca de 44% dos casos estão
relacionados a exposições ambientais insalubres7.
De acordo com a Global Asthma Report, a Asma, uma doença
inflamatória dos brônquios e que não tem cura, acomete
339 milhões de pessoas em todo o mundo com estimativa de esse número ser ainda
maior podendo chegar à média de 400 milhões em 2025. Estima-se que no Brasil a prevalência
média de asma ativa em adolescentes seja de 18,5%3.
Em meados dos anos 50
surgiram as mais comumente conhecidas “bombinhas” que revolucionaram a
intervenção medicamentosa prometendo tratar doenças respiratórias promovendo
ação local de corticoides e broncodilatadores tendo ação mais rápida e efetiva5.
No entanto, a coordenação, gases propelentes tóxicos, dispersão acentuada de
partículas surgiram como desafios a serem superados principalmente pela
população pediátrica. Na década de 70 a fim de otimizar a entrega do aerossol
as vias aéreas inferiores, foram desenvolvidas câmaras compostas de um
reservatório tubular que quando colocado entre a boca do paciente e o inalador
pressurizado dosimetrado promoviam a retenção do aerossol até a inalação do
indivíduo permitindo a inalação das partículas do fármaco com maior efetividade
aumentando em até 2x a deposição pulmonar2.
O tratamento agudo e crônico preventivo por meio da terapia
inalatória de fármacos, pode melhorar significativamente a vida de crianças e
adolescentes que sofrem com essas desordens. Inaladores
dosimetrados ou mais comumente conhecidos como “bombinhas” associados a
dispositivos como câmaras espaçadora são a terapia de primeira escolha segundo
a Iniciativa Global para Asma (GINA, 2021). No entanto, em pleno século XXI
existem grandes desafios relacionados a sua adesão, monitoramento e forma
correta de utilização, implicando em recorrente ineficácia de controle de
crises além de efeitos adversos relacionados a terapia incorreta.
A simples manutenção do dispositivo espaçador inalatório é capaz de
influenciar no seu correto funcionamento. Contaminações
bacterianas por Klebisiella Pneumoniae e Staphylococcus Aureus foi detectada em
35% de espaçadores de crianças asmáticas2. Pais e mães não se sentem
seguros quanto a correta desinfecção ou até mesmo esterilização, ficando a
critério de fabricantes, divergentes em parte da literatura científica, a
recomendação sobre utilização e cuidados. Esses cuidadores recorrem
frequentemente a meios rápidos de informação como vídeos, mídia social de
profissionais de saúde quando não ao mesmo pessoalmente ou por meio de
telemedicina.
Estudo demonstra que o
conhecimento teórico prático de profissionais de saúde do Hospital da Criança
no estado de São Paulo a respeito do uso de inaladores pressurizado mostrou ser
heterogêneo. Médicos residentes, fisioterapeutas e médicos assistentes
obtiveram desempenho significativamente melhor que enfermeiros e auxiliares de
enfermagem sendo que estes últimos estão diretamente envolvidos na aplicação
prática desses dispositivos na rotina hospitalar4.
A emancipação feminina e a sua inserção no mercado
de trabalho trouxeram uma menor presença no ambiente domiciliar e
consequentemente uma maior permanência de crianças por períodos mais longos
dentro das escolas. Com essa distância mães relatam dificuldades em sequenciar
o tratamento inalatório de seus filhos quando em fase de agudização, contando
com profissionais inseridos no ambiente escolar para a realização e
acompanhamento do tratamento, o que proporciona uma melhora no sentimento de
cuidado inerente a mães, porém ainda distante de se tornar globalizado.
Letícia de 39 anos, uma mãe residente no abc
paulista e mãe de doente respiratório crônico relata ter tido uma reunião com
professoras e cuidadores da escola para orientar a realização da terapia
inalatória no turno escolar. “Atualmente me sinto mais segura, mas preciso encaminhar
as receitas e relatar a situação de crise quando ela aparece”. “Hoje em dia, a
própria escola consegue identificar quando uma crise dele está no início” –
complementa.
Segundo uma pesquisa da ISMA-BR, International Stress Management Association no Brasil, equilíbrio entre a vida pessoal e profissional de mulheres mostra que é grande o número de pessoas que negligenciam a vida pessoal, porque se dedicam mais à profissional por medo de demissão ou de ficar para trás em promoções6.
Tendo em vista este cenário, e outros tantos não citados nesta nota, fica clara a necessidade de auxiliar não tão somente crianças, bebês e adolescentes em todo o processo da terapia inalatória mas profissionais de saúde e principalmente mães e pais, ou seus tutores utilizando a inovação e recursos tecnológicos para promover além de curadoria do conhecimento, maior acesso, autonomia e controle da sua doença e seu tratamento, melhorando assim a esperança dessas famílias em poder atingir sonhos, sentindo-se mais seguros em relação a sua saúde.
A ideação da GetinOxy surgiu em 2021 decorrente da necessidade de uma das fundadoras, asmática e mãe de asmáticos a fim de buscar soluções para alívio dessas dores sendo a principal o sentimento de culpa que acompanha as fases das doenças respiratórias e suas consequências. “Eu realmente acredito que quanto mais soubermos e mais capazes e seguras nos sentirmos em relação aos cuidados de nosso filhos maior a certeza de que estamos no caminho certo”. A plataforma promete por meio de suas funcionalidades organizar e tangibilizar a redução do estresse, de riscos relacionados, promover bem-estar, atualizar e motivar seus usuários além de melhorar a percepção de qualidade de vida.
Apesar de estar em fase de validação da ferramenta a Startup acredita que muito em breve seu suporte atenuará o desconforto respiratório e mental de muitas famílias que convivem com doenças respiratórias não limitando-se a sazonalidade, mas devolvendo um pouco do charme perdido de estações como o outono e inverno, atualmente temidas por essa população.
Referências
1. GINA.
Global Strategy for Asthma Management and Prevention. 2018.
http://ginasthma.org/2018-gina-reportglobal-strategy-for-asthma-management-and-prevention/
Acessado em: novembro de 2021.
2.
Vincken W, Levy ML, Scullion
J, Usmani OS, Dekhuijzen PNR, Corrigan CJ. Dispositivos espaçadores para
terapia inalada: por que usá-los e como? ERJ Open Res. 2018 Jun; 4(2):00065.
3.
Pitchon RR, Alvim CC, Andrade CR, Lasmar LMLBF,
Cruz AA, Reis AP. Asthma mortality in children and adolescents
of Brazil over a 20‐year
period. J Pediatr. 2020; Jul- Ago; 96(4):432-438.
4. Muchão FP, Filho LV. Avanços
na terapia de inalação na pediatria. J Pediatr (Rio J). 2010 Set-Out;
86(5):367-76.
5. Silva MV. Avaliação Experimental da
Eficiência de Câmaras de Expansão. Dissertação de Mestrado. Universidade do
Minho Escola de Engenharia (Braga), 2014.
6. ISMA BR – International Stress Management
Association. Carreiras em transformação e o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.
Disponível em: https://www.ismabrasil.com.br Acesso
em: 12 jun. 2023.
7.
OMS Organização Mundial da Saúde - As consequências da poluição ambiental:
1,7 milhão de mortes de crianças anualmente, segundo a OMS (who.int)
Disponível em: https://www.who.int/pt
Acesso em:14 jun. 2023.
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